Paulo Esteireiro
Natural de Espanha, Salvador Dário Florez de Pando, conhecido habitualmente como Dário Florez, radicou-se no Funchal no primeiro quartel do século XX, tendo-se naturalizado português e sido funcionário das Obras Públicas da Junta Geral.
No campo da música, Dário Florez teve enorme protagonismo na sociedade funchalense, tendo dirigido, durante cerca de três décadas, muitos concertos e orquestras, além de ter composto várias músicas de revista, género em que foi um dos músicos pioneiros no Funchal.
Apesar de haver quem aponte o ano de 1923, como aquele em que o músico se radicou no Funchal, encontramos dados da sua presença na Madeira antes desta data, principalmente no domínio da música de revista, sendo possível que Dário Florez se tenha fixado no arquipélago em 1913, como indica Luiz Peter Clode no seu livro “Registo genealógico de famílias que passaram à Madeira”. Por exemplo, já em 1916, é levada à cena no Teatro Municipal a revista "Miúdos" com música de Dário Florez e texto de Pedro de Oliveira Castro, tendo o cônsul espanhol, D. José Campanela, oferecido ao músico uma batuta de hipopótamo, na 3.ª vez que a peça foi levada a cena.
A revista "Miúdos" deve ter obtido uma boa reacção do público, porque no ano seguinte, em 1917, Dário Florez voltou a compor a música de uma nova revista, desta vez com letra de Adão Nunes e um título bem madeirense: "Semilha e Alface". Temos ainda conhecimento de mais duas revistas compostas pelo músico espanhol para a Madeira: a revista "Água-vai", também com texto de Adão Nunes, que foi representada em 1922; e a revista em um acto, "Ilha de Sonho", representada em 1948.
No domínio da regência, encontramos Dário Flores à frente de uma orquestra, em 1929, a dirigir músicas da sua autoria e do Capitão Edmundo Lomelino, numa récita de homenagem aos Bombeiros Voluntários do Funchal, organizada por D. Eugénia Rego, no Teatro Municipal.
O prestígio de Dário Florez como regente era de tal ordem que, no segundo quartel do século XX, quando se criou a "Grande Orquestra Madeirense" - comissariada pelos irmãos Clode (Luiz Peter Clode e William Clode) e apoiada pela Câmara Municipal dirigida por Fernão Ornelas -, o músico espanhol foi escolhido para ser o seu primeiro maestro.
Ainda como regente de orquestra, um dos momentos mais altos da carreira de Dário Florez foi quando dirigiu o concerto inaugural da prestigiada Sociedade de Concertos da Madeira, em 4 de Março de 1943, à frente da "Grande Orquestra de Salão de Amadores de Música", no Palácio de São Lourenço.
Na época, o seu prestígio deveria ser bastante elevado, visto que chegou a fazer parte da reduzida e restritíssima tertúlia literária "Cenáculo" - presidida pelo conceituado Major João dos Reis Gomes -, que só aceitava para seus membros figuras ilustres e intelectuais.
O músico compôs ainda um fado para canto e piano, intitulado “Saudades de Coimbra”.
